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O Dilema de Deus - Waldemar Janzen
1.0.0 - Um só Mediador
Quem já não passou pelo constrangimento de ser considerado arrogante ou, no
mínimo, estupidamente ousado ou intelectualmente míope/mesquinho, por afirmar
que só em Cristo Jesus há salvação? Por acaso deixará Deus de considerar a sua
busca sincera por outros caminhos, religiões ou profetas? Será que um Deus
eterno e de amor não se revelou através de diferentes personagens? Será que as
afirmações exclusivistas de 1. Tim. 2,5: "Porque há um só Deus, e um só Mediador
entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." e Atos 4,12: " E em nenhum outro há
salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos." não tem um valor apenas para o
cristianismo ou até representam um excesso por parte dos escritores bíblicos?
Afirmações como: "...ESCRITOS NO LIVRO DA VIDA DO CORDEIRO QUE FOI MORTO,
DESDE A (ANTES DA) FUNDAÇÃO DO MUNDO! " (Apoc.13,8; Hebreus 1,2; Efésios 1,4)
parecem, para dizer o mínimo, à primeira vista, um exagero de expressão.
Será que a queda do homem foi um erro de cálculo da parte de Deus e que Ele
teve que inventar o Salvador para corrigir o curso da história de sua criação?
Você tem respostas satisfatórias para estas questões?
2.0.0 - Resumo A perfeição é parte intrínseca da
existência eterna de Deus. A sua pureza/santidade e justiça fazem parte dessa
perfeição. Impureza, por menor que seja, é incompatível com o estado de
santidade de Deus e exige ser removida da sua comunhão. Depende-se da
misericórdia de Deus para, alguém que tenha deficiência de pureza, permanecer na
comunhão com ele. No seu ato de misericórdia, Deus não pode deixar de usar meios
justos e coerentes para arrancar alguém do destino justo dessa condenação, em
decorrência de sua justiça absoluta. O procedimento para arrancar esse alguém
dessa condenação não pode ser determinado pelo réu e sim somente pelo próprio
autor da misericórdia, Deus. Em outras palavras, o caminho que leva a Deus, só
pode ser estabelecido pelo próprio.
2.1.0 - Axiomas Axioma, segundo o Dicionário
Brasileiro da Língua Portuguesa, é: Princípio evidente, que não precisa ser
demonstrado (e não pode ser demonstrado). Exemplo: 1-infinito. 2- a
auto-existência de Deus, etc. Meu filho Edgard teve certa ocasião uma
discussão com a sua professora de matemática sobre o infinito. Pelo fato de
necessitarmos, para os motivos conseqüentes, um conceito mais claro sobre a
radicalidade do absoluto, é importante refletirmos sobre um análogo, o infinito,
visto que esse é mais usual. A ponderação do meu filho era a seguinte: Se o
limite de qualquer número divido por infinito é igual a zero, então o limite de
infinito dividido por infinito seria igual a um. A professora não concordou,
argumentando que depende do tamanho do infinito que você imagina. O maior deles
pode tanto ser o numerador como o denominador e por esta razão o limite do
quociente de infinitos é indefinido. Meu filho rebateu com o argumento de que
não é coerente imaginar o infinito como sendo um número excepcionalmente grande.
A verdade é que, sem considerarmos a questão mencionada, não se exprime o
infinito com o conceito de grandeza e sim, mais corretamente, como algo
absolutamente infindável e intangível. Creio que nisto também está o
equívoco de raciocínio dos protagonistas da teoria sobre os números maiores do
que o infinito. (Esta teoria parte da definição: infinito é o conjunto de todos
os números inteiros. A teoria sobre os números maiores do que o infinito afirma
que todo número inteiro tem infinitos números fracionários/decimais e, portanto,
o conjunto de todos os números fracionários do conjunto de todos os números
inteiros é maior do que o conjunto de todos os números inteiros,
consequentemente, maior do que infinito. Algo como infinito elevado a infinito).
O puro/santo absoluto, posteriormente referido, é intangível, mesmo que pela
sucessiva incrementação ou aperfeiçoamento. Não é o resultado de um processo de
purificação/ limpeza/depuração durante um tempo infinitamente grande, e sim o
estado daquilo ou daquele que nunca fez parte de um estado que pudesse ser
aperfeiçoado.
2.1.1 - 1o Axioma: Só o perfeito é eterno A elite
dos físicos nucleares da Europa está concentrada no complexo do maior acelerador
de partículas do mundo, localizado sob as montanhas jurássicas ao norte do lago
de Genebra, na Suíça. O tio do amigo Volcker Mierecke, é integrante desta elite.
Pelas informações desse cientista, a maioria dos seus colegas cientistas são
tementes a Deus. Motivo? Reconhecimento de uma realidade que ultrapassa os
limites dos campos de pesquisa científica. A matéria, assim se constatou, cessa
ao nível atômico. Partículas subatômicas não podem mais ser consideradas como
substância, algo palpável mesmo que minúsculo. As partículas subatômicas são
entendidas como nódulos de carga elétrica ou eletromagnética, isentos de
substância/matéria alguma. O neutron é um nódulo sem carga elétrica, mas quando
é desintegrado resulta também em partículas com carga elétrica. A matéria é
formada dos agrupamentos ordenados destas partículas amateriais. As partículas
subatômicas podem ser postas em movimento, aceleradas, e desintegradas sobre
anteparos, resultando em partículas menores. Quanto mais energia/velocidade se
aplica a uma partícula subatômica, a um nódulo amaterial, para desintegrá-lo,
tanto menores e mais numerosos são os fragmentos subatômicos. Já se catalogou
algo acima de 300 partículas subatômicas diferentes. Não há limite para este
processo. Os cientistas reconhecem nisto um limite absoluto do conhecimento
humano. Um poço sem fundo que conhecimento algum em tempo algum possa desvendar.
Este conhecimento é intangível, em termos absolutos, ao ser humano. Um
conhecimento reservado a um outro plano. A existência das partículas
subatômicas, concluem os físicos nucleares de Genebra, só pode ter origem em um
ser supremo. Decorrente desta constatação, humildemente reconhecem o seu limite
de conhecimento. Isto confirma a colocação do apóstolo Paulo em Romanos 1,
19-20: "Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus
lho manifestou. Porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o
seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas
coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;". Com este
conhecimento fica mais fácil entender a palavra criadora de Deus: Haja luz, haja
isto e aquilo, etc., (Gên.) e também a passagem bíblica de que: "Mas os céus e a
terra que existem pela mesma palavra se reservam como tesouro,..." (2. Pedro
3,7). Tudo é sustentado pela Palavra de Deus: " O qual, sendo o resplendor da
sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas
pela palavra do seu poder,..."( Hebreus 1,3 ). Ele chamou todas as coisas à
existência. As coisas materiais são literalmente feito de algo amaterial. Quando
Deus revogar a sua Palavra de sustentação sobre a realidade amaterial, fundação
da matéria, o mundo material entra em colapso, e desaparece em nada. Basta ele
dizer: não haja mais carga elétrica, e o que resta? nada! A criação também
deveria ser entendida desta forma, só em sentido inverso. Os cientistas
postularam que o tempo, o espaço e a matéria são interdependentes e nenhum
destes pode existir isoladamente. A grandiosidade da afirmação do primeiro
versículo da Bíblia fica, neste contexto, evidente: "No princípio ( tempo =0)
criou Deus os céus (todo o espaço cósmico) e a terra." Segundo o Dr. Henry
Morris, fundador do ICR, Instituto para Pesquisa da Criação, a palavra usada na
língua original pode tanto ser traduzida como Terra ou como matéria, toda a
matéria do universo. Isto dá mais sentido também ao próximo versículo: "A terra
(matéria), porém, era sem forma e vazia." A matéria não tinha ainda sido
agrupada para formação dos astros. Esses, tempo, espaço e matéria, tiveram,
continua a dedução dos cientistas, um início e consequentemente terão um fim.
Talvez isso explique por que Deus não atribuiu os adjetivos "perfeito" ou
"excelente" à sua criação, e sim simplesmente "muito bom" (Gên. 1). Paulo
identifica o amor como o maior entre a fé e a esperança. Creio que a razão disso
é que, entre esses três, só o amor é eterno. A primeira lei da
termodinâmica, "nada se cria, nada se perde, tudo só se transforma", só tem
validade entre o início e o fim da trilogia tempo/espaço/ matéria. Esses três
não surgiram através das leis da termodinâmica, foram exatamente as leis da
termodinâmica que surgiram a partir dos três, algo que freqüentemente se esquece
quando se pondera sobre as questões da origem do universo. A segunda lei da
termodinâmica transmite um pouco da característica perene deste mundo material:
"Tudo tende à desordem/deterioração. O aumento da entropia é a tendência
natural." Fato que observamos universalmente em tudo que é material ao nosso
redor. Obviamente, quanto melhor a qualidade/consistência, menor a velocidade de
degradação. Por isso nós nos dispomos freqüentemente a pagar preços mais
elevados para bens mais duráveis. Mas assim mesmo não deixam de ter um período
de existência e posteriormente já não preenchem mais parcialmente ou plenamente
as suas funções. Qualidade tem hoje um significado mais amplo do que só
durabilidade. Mesmo assim, normalmente, durabilidade é um fator de qualidade.
Quanto "mais perfeitos" mais duráveis. A margem de tolerância de fabricação é um
fator que afeta a durabilidade. Em outras palavras: o que é mais preciso,
fabricado com menor margem de tolerância, é, dentro do seu semelhante, o mais
durável. Mais durável mas não eterno, porque não é perfeito. Até o material
aplicado, como vimos acima, tem um fim em vista. A margem de tolerância igual a
zero não é tangível ao nível do processo produtivo nem ao nível do material
aplicado (matéria). Se, portanto, ele existe como primeira causa, o gerador
de todas as coisas, ele é eterno e, por conseqüência, absolutamente perfeito.
2.1.2 - 2o Axioma: Um Ser eterno deve forçosamente
possuir atribuições absolutas e absolutamente todas elas. É uma conclusão
relativamente óbvia do primeiro axioma. Se as atribuições não forem absolutas,
não serão integrais, plenas, e, consequentemente, não serão perfeitas,
conduzindo, para assim se dizer, para uma debilitação que, cedo ou tarde,
conduziria à exterminação. O mesmo se aplica, também para o segundo axioma.
Se não possuir a plenitude das atribuições, não será completo e , sim,
debilitado, não tendo qualificações para persistir eternamente. Onisciência,
onipotência, amor, santidade, justiça, misericórdia, são algumas destas
atribuições.
22.1.3 - 3o Axioma: Não pode haver dois seres
distintos (antagônicos) com a plenitude das atribuições absolutas. O
absolutismo é exclusivista. Um deles deterá a supremacia. No mínimo, apenas um
deles pode ser onipotente. Talvez isto ajuda a entender um pouco mais o mistério
da trindade de Deus. Parece que há certa hierarquia até na trindade. O Pai envia
o Filho. O Filho envia o Espírito Santo. O dia da revelação do poder de Deus,
com o glorioso retorno de nosso Senhor Jesus Cristo era de conhecimento
exclusivo do Pai. Tem vários outros exemplos mais, relatados na Bíblia, mas
todos os atributos são às três pessoas da trindade.
2.2.0 - A perfeição se deve revelar na adoração.
Efésios 1,6 e 12. Adoração perfeita
(honesta/pura/imparcial/espontânea/genuína) somente pode ser prestada por um
ente que detém o livre arbítrio (um ser moral): "Deleito-me em fazer a tua
vontade, ó Deus meu;" (Salmos 40,8). Foi, provavelmente, o Dr. Francis
Schäffer quem sugeriu o seguinte cenário de ilustração: "Você acopla um gravador
a uma micro-chave instalada junto à porta de entrada de sua casa. Cada vez que
você abre a porta, a chave aciona uma gravação: "Você é o maior, é o mais
inteligente de todos. Já fez grandes feitos, você é o mais belo, puro e
poderoso, etc.." Afinal, que valor isso teria para você?" Talvez algum discípulo
da afirmação positiva, do pensamento positivo ou os maquiadores de auto-imagem
disto extrairiam algum proveito, mas não os realistas e objetivos.
Recordo-me de um incidente de experiência própria. Costumava me apresentar
em duetos de violino com meu amigo. Nem sempre nos saíamos tão bem. Certa
ocasião fomos mais ou menos desastrosos na nossa apresentação. Queimando ainda
na face frente ao vexame que passamos, nos apareceu um outro violinista, já
atrás do palco, e com uma pompa de palavras nos inundou com largos elogios.
Sempre mais lento na detecção de malícias, fui antecipado pelo meu amigo, que,
por pouco não destruiu o seu belo instrumento na cabeça desse "admirador"
hipócrita. O louvor não tem valor se não for honesto e autêntico. Deus na
sua majestade, desejou receber a apreciação espontânea de seus feitos e seu
poder. Os anjos não têm mais esta possibilidade, apesar de darem louvores, de
dia e de noite, ao nosso grande Deus. O homem, com sua faculdade de
autodeterminação, é a única criatura capaz de se expressar espontaneamente.
2.3.0 - Um ente moral implica em risco. É de
nosso conhecimento e prática, em questões de averiguações ou certificações,
apelarmos para entidades qualificadas e neutras. Até a justiça, através dos seus
juízes, recusa testemunhas que sejam parentes do réu ou que tenham preferência
pela absolvição de uma das partes. O laudo ou a sentença deve ser isenta de
desejos de qualquer natureza. Sabemos, através do cotidiano, como isto é difícil
na prática. O princípio assim mesmo persiste, mesmo frente às deficiências na
prática, mas o risco de um julgamento parcial ou injusto para o réu é real.
No caso de Deus e a sua criatura, por Deus ser intrinsecamente merecedor só
de louvores, só existe o risco ou a possibilidade de esta criatura lhe negar
injustamente a adoração cabível: "Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e
honraram e serviram mais a criatura do que o Criador,..." ( Rom. 1,25). Mais
grave ainda é a prestação de adoração a alguém outro por aquilo que Deus tem
feito. É idolatria, é jogo sujo. O ídolo sempre é um ente corrupto por permitir
ser adorado por aquilo que ele próprio não realizou ou não pode realizar. O
que você acha da integridade de uma pessoa que não recusa os elogios
erroneamente e imerecidamente a ela dirigidos? Você acha que Deus encara isto
diferentemente?
2.4.0 - A santidade absoluta de Deus exige
obrigatoriamente a condenação/eliminação do autor da injustiça. (Rom.2,12)
Quase todos nós estamos familiarizados com margens de tolerância nos
processos produtivos de qualquer natureza. Quanto maior a responsabilidade ou
qualidade, mais apertadas as margens de tolerância. A conseqüência geralmente é
o aumento de durabilidade do bem. Vamos considerar para o nosso caso que a
margem de tolerância é o único fator da durabilidade. Quando a margem de
tolerância tender a zero a durabilidade tende para infinito. É possível fabricar
um bem com margem de tolerância igual a zero? Nenhum, é claro. Consequentemente,
para o nosso caso, não haverá bem eterno. Se transpormos esta realidade para
o campo espiritual, a margem de tolerância poderia muito bem representar o grau
de santidade, a justificação/vida eterna, porém, somente poderá ser alcançada
com a santidade absoluta, margem de tolerância igual a zero, porque é a única
qualidade que pode ser aceita/tolerada por um ser absolutamente santo. Qualquer
desvio, mesmo infinitesimal, é contaminação de sua perfeição/santidade, situação
impossível para um ser eterno. Sua santidade exige a condenação/eliminação
daquilo que não é absolutamente puro. O controle de qualidade de Deus não
admite margem de tolerância. 2.5.0 - Na sua perfeição, Deus também é
absolutamente misericordioso. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu
o seu Filho unigênito,..." (João 3,16a). A misericórdia também é um atributo
absoluto de Deus. A sua misericórdia só pode ser absoluta se o sujeito a quem se
manifesta a sua misericórdia estiver em estado de absoluta insolvência, caso
contrário Jesus teria sido sacrificado desnecessariamente. Para que a
misericórdia seja autêntica é mister que o receptor esteja em autêntica
necessidade desta misericórdia. Unicamente através dela poderá haver a saída da
condenação. Misericórdia é amor em ação. Amor divino. Aquele que não
solicita algo em contrapartida. Jesus menciona o limite, o máximo que o amor
humano é capaz de fazer: Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a
própria vida em favor dos seus amigos (Jo.15,13). Mas Paulo nos ensina que o
amor de Deus é muito mais: Dificilmente alguém morreria por um justo; pois
poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio
amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda
pecadores (Rom. 5,7-8). O amor autêntico, divino, só se revela, é posto em
prática na misericórdia. O amor, atributo absoluto de Deus, é embutido no
atributo misericórdia. Sem amor divino não há misericórdia divina, sem
misericórdia divina, não há amor divino.
2.6.0 - O DILEMA DE DEUS SEM UM MEDIADOR
2.6.1 - Se Deus faz justiça ele não é misericordioso
- Se ele é misericordioso, não pode fazer justiça. Se Deus fecha um olho em
misericórdia ao estado de imperfeição/pecaminoso de sua criatura, deixa de ser
santo. Se ele faz valer a sua justiça, exigida frente à sua santidade, deixa
de ser misericordioso: "Miserável homem que sou! quem me livrará do corpo desta
morte? (Rom. 7,24). Parece não haver saída para estas duas atribuições,
porque se excluem mutuamente.
2.6.2 - Para haver misericórdia sem ferir a justiça,
a ofensa precisa ser reparada por meios justos/válidos/consistentes.
Suponhamos que Deus, após criar Adão e Eva, lhes disse que no dia que
comessem da fruta proibida morreriam, pressupondo que obedeceriam, abstendo-se
deste alimento. Depois que Deus viu que se enganara a respeito da lealdade dos
dois, teria, num ato de misericórdia, revogada a sua sentença de morte. Afinal,
como ele é Deus, soberano e onipotente, pode agir como bem entende. Quem lhe
cobraria? Mas não é assim. Deus, em primeiro lugar não fez uma ameaça fria a
Adão e Eva. Ele tão somente os informou o que a sua santidade absoluta não pode
tolerar: desobediência, que eqüivale a rebelião. A morte é conseqüência direta
do veredicto de Deus mas o veredicto de morte é a conseqüência obrigatória para
eliminar a impureza/transgressão/desobediência da santa presença de Deus. Deus
não é injusto e consequentemente, até os seus atos de misericórdia precisam
seguir um procedimento idôneo/correto/consistente.
2.6.3 - O ser humano não tem condições de se
auto-reabilitar. Voltando aos axiomas. Não se chega ao infinito
acrescentando-se, sucessivamente, mais um, ao número anterior. O limite deste
processo de fato é o infinito, mas não se chega a ele através deste
procedimento. Sempre restará um número, mais um. O infinito é intangível. Nem no
infinito a curva coincidirá com a assíntota. A santidade de Deus é
semelhante. A santidade absoluta de Deus não é uma sucessão infinita de atos de
santificação, e sim a assíntota da santificação. A santidade do processo de
santificação está separada da santidade intrínseca de Deus, assim como uma curva
de uma função matemática está separada de sua assíntota (linha limite da
função), que, segundo definição, se tocam no infinito. Como o infinito é
intangível, a curva da função se aproxima cada vez mais da assíntota, mas estará
separada desta sempre ainda por um infinitésimo, sem jamais coincidir com a
mesma. A própria palavra santificação revela que houve um processo e que o ponto
de partida era a falta de santidade. Com a margem de tolerância divina para
a santidade igual a zero, a salvação pelas obras é impossível e fruto da falta
de reconhecimento da absoluta santidade de Deus. Não é por falta de vontade de
Deus nem por falta de esforço do ser humano que não podemos transpor da curva
para a assíntota. É por força de sua eterna existência, que requer absoluta
santidade, que ele não pode cometer a injustiça de absolver a sua criatura
transgressora através de boas obras ou boa vontade. Deus seria imoral se, por um
lado permitisse que Jesus Cristo fosse morto pelos pecadores e por outro lado
fosse possível salvar-se através de boas obras. Muitas das religiões não
cristãs até têm freqüentemente nobres preceitos e regras de conduta louváveis. A
questão crucial, no entanto, é a justificação. Como posso alcançar a santidade
para subsistir perante o meu Criador.
2.6.4 - Necessita-se de uma causa externa que nunca
teve parte na transgressão. 2Sal.49, 7-9: "Nenhum deles de modo algum pode
remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (pois a redenção da sua alma é
caríssima, e cessará para sempre), para que viva para sempre, e não veja
corrupção." Títulos de dívida podem somente rolar a dívida. Para
se pagar uma dívida necessita-se de dinheiro "QUENTE": " E, quando vós
estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou
juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que
era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária,
e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz."(Col. 2,13-14).
A morte justa, do injusto ente, só pode ser
justificada/paga /remida, pela morte de um justo( um não envolvido no processo
da dívida). O preço da remissão deve ser equivalente ao valor da condenação, ou
seja a morte. Aquele que não cometeu injustiça, levou a condenação da injustiça
sobre si no lugar daqueles que a mereciam por justa causa: "Àquele que não
conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de
Deus (2. Cor. 5,21). Isto dá a Deus a legitimidade de retirar de graça
a merecida condenação dos injustos e declarar, sem consideração do esforço
próprio, absolutamente justos, aqueles que, por força da lei ( que trata da
santidade que tem validade perante Deus) eram escravos eternos do pecado
(Rom.2,2). Tudo isto novamente através da decisão voluntária/ livre arbítrio, se
espontaneamente admitirem a sua culpa perante o Criador, pedirem perdão pelo
feito e reconhecerem na morte substitutiva de Jesus Cristo a sua merecida
condenação própria. Fazer pecado pelos pecadores aquele que é absolutamente
santo = amor/misericórdia infinita. Se alguém é achado culpado já é um
vexame. Mas a indignação e revolta são muitas vezes maiores se alguém recebe,
por engano, a condenação pelo delito de outrém. Nós, porém, não somos perfeitos
e se recebemos uma punição não merecida, muitas vezes também não recebemos a
punição merecida. Agora imaginem o horror de alguém que era absolutamente santo,
ser feito pecado/pecador e ser condenado à morte injustamente em substituição
daqueles que a mereciam por justa causa. Foi tamanho o horror que o próprio Deus
ocultou a sua face perante o seu bendito filho ao ponto de Jesus gritar em
solidão agonizante: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mat.27,46).
“Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se
puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e
o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da
sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo,
justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaías
53:10-11) Se, como alguns tentam inferir, Maria não engravidou pela ação do
Espírito Santo e sim pela vontade de um homem, então Jesus poderia, no máximo,
ser um profeta, mas jamais o filho unigênito de Deus, o cordeiro sem máculas.
Neste caso nós ainda estaríamos nas trevas e sem esperança.
Como a Sua santidade é absoluta, a Sua morte também
vale para todos. Considerando, n todos os seres humanos de todos os
tempos/pecadores, m todos os pecados de toda a humanidade que Cristo tomou sobre
si e x, que é igual a zero, os pecados próprios de Jesus Cristo, temos:
Y=n.m/x. Y é o número de pecadores justificáveis pela sua morte, infinito: "...
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João
3,16b). Por este motivo, Jesus Cristo não é um remédio para corrigir um erro
de cálculo de Deus, mas sim, parte do projeto original da própria criação do
universo, como também Paulo escreve com precisão aos Colossenses: " O qual é
imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação... ...e
que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele
reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como
as que estão nos céus." (Col. 1,15...20). Assim faz muito sentido de a
Bíblia afirmar: "...nomes... ...escritos no livro do Cordeiro que foi morto,
desde a fundação do mundo." Também não é arrogante afirmar que não há
salvação em nenhum outro. É obviamente inútil e idólatra apelar para qualquer
outro ser.
2.6.5 - FINALIZANDO Por esta razão, importa que
nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas
jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio dos
anjos, e toda transgressão e desobediência recebeu justo castigo, como
escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?(HEBREUS 2,1-3)
3.0.0 - Como posso reivindicar essa salvação?
3.0.1- Preciso reconhecer o meu estado de insolvência espiritual de que eu
não tenho a capacidade de me auto-reabilitar para adquirir a justiça e a
santidade de Deus. 3.0.2- Devo acreditar naquele que tem esta
santidade, Jesus Cristo, e pedir perdão a Deus pelos atos de "imperfeição" por
mim cometidos. Atos 10,43b ...todos os que nele crêem receberão o perdão dos
pecados pelo seu nome. 1.João 1,9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel
e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
3.0.3- Devo compatibilizar o meu estilo de vida com a sua vontade, expressa
na sua Palavra, a Bíblia. 1.João 1,6 Se dissermos que temos comunhão com ele, e
andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
3.1.0- Como faço isso? 3.1.1- Falando a Deus, com
minhas próprias palavras e expressões, como se estivesse falando com um amigo à
minha frente.
3.2.0- Como eu sei que fui ouvido e perdoado,
atendido? Você percebe o perdão imediatamente. Aquela perturbação
angustiante sobre o futuro, a incerteza do além, o sentimento de culpa,
desaparecem de vez. Rom. 8,16 O mesmo Espírito testifica com o nosso Espírito
que somos filhos de Deus. 1.João 5, 10 - 12a Quem crê no Filho de Deus, em si
mesmo tem o testemunho;... e o testemunho é este: que Deus nos deu a vida
eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem
o Filho não tem a vida. Procure comunhão com as pessoas que já
experimentaram o perdão de Deus e compartilhe a tua experiência com eles.
Agradeço aos pastores Peter Unruh, Valdemar Krocker e
Fridolin Janzen pelas sugestões, análise e correção do texto.
Curitiba, março de 1995
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